Ontem levei um “soco” no estomago
ao saber que a minha menina não pode ir para a escola primária da freguesia. “Já
não há vagas!” dizem eles…
Uma vez mais o sistema político
se sobrepõe à qualidade do ensino. Quando há alunos para formar duas turmas de
primeiro ano, o que faz o ministério da educação? Dá ordens ao agrupamento para
formar uma única turma com o número máximo de alunos que a lei permite (26, sim
26 alunos no 1º ano do 1º ciclo, mas já lá vamos…) e apresentar aos pais dos “excedentários”,
todos eles “condicionais” (“infelizmente” nasceram depois de 16 de Setembro do
seu ano), duas opções: 1ª – Colocar 2 alunos do 1º ano numa turma do 2º/3º ano,
ou 2ª – Colocar o aluno noutra escola do agrupamento. Qualquer uma delas deixa
a desejar, mas a primeira é de “bradar aos céus”; onde vai parar o ensino com
estas decisões políticas…
Fiquei triste e muito desolado,
desiludido mesmo. Vou ter que dizer à minha pequeninha que já não vai para
aquela escola dos “crescidos”, que vai ter que ir para outra porque naquela não
há lugar para ela. Enfim!!!
É triste e uma estupidez, mas é o
que temos…
Quero abordar ainda o Despacho
normativo n.º 7-B/2015. O despacho do governo que justifica esta exclusão.
No artigo 4º, ponto 6 e 7 do
referido despacho lê-se: “6 – A matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino
básico é obrigatória para as crianças que completem seis anos de idade até 15
de setembro. 7 – As crianças que completem os seis anos de idade entre 16 de
setembro e 31 de dezembro podem ingressar no 1.º ciclo do ensino básico se tal
for requerido pelo encarregado de educação, dependendo a sua aceitação
definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas, depois de
aplicadas as prioridades definidas no n.º 1 do artigo 10.º do presente despacho
normativo.”
Isto é discriminação, pois no
final do ano todas estas crianças terão a mesma. Todas elas frequentaram o
pré-escolar e conviveram na mesma turma, ou seja, são consideradas iguais. Mas…
Mas para o 1º ciclo se nasceram nos últimos três meses do ano são imaturos, “criancinhas”,
não tem capacidade para cumprir os objectivos… O facto de serem do final do
ano, não faz deles crianças menos preparadas (alguns até estarão mais) e menos
disponíveis para aprender. (Muitos dos nossos governantes não tem capacidades
para os cargos que ocupam e estão lá. (Terão sido “condicionais”???)
No artigo 19º, ponto 1 do
referido despacho lê-se: “1 — As turmas do 1.º ciclo do ensino básico são
constituídas por 26 alunos.”
26 alunos!!! Eles são parvos ou
quê. Como é que um docente consegue: Ensinar (que é a 1 função dele/a),
Verificar se estão a fazer correctamente, Fazer-se ouvir, Ouvir e Controlar 26
crianças de 6 anos de idade sozinho. Só algum com falta de parafusos é que acha
que um ser humano sozinho consegue fazer bem isto. Não tem qualquer lógica
pedagógica, é apenas uma poupança nos recursos. O número ideal de alunos para
que todos APRENDAM é entre 15 e 17, e falo por experiência. Tudo o que seja
acima disto vai deixar os mais fracos e menos atentos para trás, porque uma só
pessoa não consegue dar a matéria proposta, transmitir conhecimentos novos,
vigiar e controlar tantas crianças.
A falta de aproveitamento na
escola muitas vezes acontece porque as crianças não tem a atenção do docente
(que deve ser uma referência e um apoio quando elas precisam), levando ao desinteresse
e ao não gostar da escola.
Deixo este desabafo a quem tiver
disponibilidade para o ler e comentar. Escrevo isto na esperança que um dia o
sistema mude para melhor e que não tenhamos que remar contra a maré. Deixo estas
palavras aos políticos para que pensem na educação e no que ela representa para
o futuro do país.
Sou hoje um pai desiludido com o
sistema de ensino português, mas que fará tudo para que a sua filha considerada
“condicional” seja uma das melhores e que por estar nessa situação não merece
ser discriminada.