sexta-feira, 22 de julho de 2016

… criar insucesso escolar???

Ontem levei um “soco” no estomago ao saber que a minha menina não pode ir para a escola primária da freguesia. “Já não há vagas!” dizem eles…
Uma vez mais o sistema político se sobrepõe à qualidade do ensino. Quando há alunos para formar duas turmas de primeiro ano, o que faz o ministério da educação? Dá ordens ao agrupamento para formar uma única turma com o número máximo de alunos que a lei permite (26, sim 26 alunos no 1º ano do 1º ciclo, mas já lá vamos…) e apresentar aos pais dos “excedentários”, todos eles “condicionais” (“infelizmente” nasceram depois de 16 de Setembro do seu ano), duas opções: 1ª – Colocar 2 alunos do 1º ano numa turma do 2º/3º ano, ou 2ª – Colocar o aluno noutra escola do agrupamento. Qualquer uma delas deixa a desejar, mas a primeira é de “bradar aos céus”; onde vai parar o ensino com estas decisões políticas…
Fiquei triste e muito desolado, desiludido mesmo. Vou ter que dizer à minha pequeninha que já não vai para aquela escola dos “crescidos”, que vai ter que ir para outra porque naquela não há lugar para ela. Enfim!!!
É triste e uma estupidez, mas é o que temos…
Quero abordar ainda o Despacho normativo n.º 7-B/2015. O despacho do governo que justifica esta exclusão.
No artigo 4º, ponto 6 e 7 do referido despacho lê-se: “6 – A matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico é obrigatória para as crianças que completem seis anos de idade até 15 de setembro. 7 – As crianças que completem os seis anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro podem ingressar no 1.º ciclo do ensino básico se tal for requerido pelo encarregado de educação, dependendo a sua aceitação definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas, depois de aplicadas as prioridades definidas no n.º 1 do artigo 10.º do presente despacho normativo.”
Isto é discriminação, pois no final do ano todas estas crianças terão a mesma. Todas elas frequentaram o pré-escolar e conviveram na mesma turma, ou seja, são consideradas iguais. Mas… Mas para o 1º ciclo se nasceram nos últimos três meses do ano são imaturos, “criancinhas”, não tem capacidade para cumprir os objectivos… O facto de serem do final do ano, não faz deles crianças menos preparadas (alguns até estarão mais) e menos disponíveis para aprender. (Muitos dos nossos governantes não tem capacidades para os cargos que ocupam e estão lá. (Terão sido “condicionais”???)
No artigo 19º, ponto 1 do referido despacho lê-se: “1 — As turmas do 1.º ciclo do ensino básico são constituídas por 26 alunos.”
26 alunos!!! Eles são parvos ou quê. Como é que um docente consegue: Ensinar (que é a 1 função dele/a), Verificar se estão a fazer correctamente, Fazer-se ouvir, Ouvir e Controlar 26 crianças de 6 anos de idade sozinho. Só algum com falta de parafusos é que acha que um ser humano sozinho consegue fazer bem isto. Não tem qualquer lógica pedagógica, é apenas uma poupança nos recursos. O número ideal de alunos para que todos APRENDAM é entre 15 e 17, e falo por experiência. Tudo o que seja acima disto vai deixar os mais fracos e menos atentos para trás, porque uma só pessoa não consegue dar a matéria proposta, transmitir conhecimentos novos, vigiar e controlar tantas crianças.
A falta de aproveitamento na escola muitas vezes acontece porque as crianças não tem a atenção do docente (que deve ser uma referência e um apoio quando elas precisam), levando ao desinteresse e ao não gostar da escola.
Deixo este desabafo a quem tiver disponibilidade para o ler e comentar. Escrevo isto na esperança que um dia o sistema mude para melhor e que não tenhamos que remar contra a maré. Deixo estas palavras aos políticos para que pensem na educação e no que ela representa para o futuro do país.

Sou hoje um pai desiludido com o sistema de ensino português, mas que fará tudo para que a sua filha considerada “condicional” seja uma das melhores e que por estar nessa situação não merece ser discriminada.